Especialistas discutem os cuidados no uso do Waze e de outros aplicativos de GPS - Polícia - Hora

Tecnologia02/01/2017 | 17h19Atualizada em 02/01/2017 | 17h19

Especialistas discutem os cuidados no uso do Waze e de outros aplicativos de GPS

Recomendação é de que o motorista verifique antes a rota estipulada e até mesmo pergunte a autoridades locais sobre a segurança do trajeto

Especialistas discutem os cuidados no uso do Waze e de outros aplicativos de GPS Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução

No Rio de Janeiro, o usuário que é guiado até certas regiões da cidade como o Complexo da Maré pelo Waze, aplicativo de GPS, recebe um alerta junto ao trajeto: "Cuidado! Este destino está em uma área com maior risco de crime". Essa mensagem faz parte de um recurso disponível desde o ano passado apenas na capital fluminense, símbolo do turismo brasileiro e sede dos últimos Jogos Olímpicos. Na madrugada de domingo, primeiro dia de 2017, a informação de que uma turista gaúcha poderia ter sido levada a um trajeto em uma área considerada de risco em Florianópolis (SC) por um aplicativo de localização trouxe de volta a discussão sobre os riscos e cuidados necessários no uso desse tipo de app. Ainda não há, entretanto, certeza de que o carro da vítima estivesse sendo guiado pelo programa.

Antes da Olimpíada do Rio de Janeiro, foram mapeadas pelo Waze 25 regiões da cidade que seriam de maior risco, segundo informações da revista Época. O aplicativo utiliza dados da ONG Disque-Denúncia e os cruza com informações sobre as vias mais evitadas pelos motoristas. A ação colaborativa dos usuários, a base do Waze para demais avisos, não é direta para indicar as áreas consideradas perigosas, há uma moderação por parte da empresa. O app não divulga os nomes dos locais.A discussão sobre a responsabilidade de aplicativos de navegação em traçar rotas, que, além de mais rápidas e levem em consideração a situação das vias e do tráfego, sejam também mais seguras não é nova. Em termos de questões sociais, fala-se também do impacto desses mapeamentos ao causarem uma exclusão ou delimitação de locais e da população que mora em zonas de conflito, aumentando o estigma em torno delas. 

– O aplicativo surge para facilitar a mobilidade do cidadão. Agora, à medida que se tem várias áreas interditadas, temos uma questão de segurança pública que transcende a responsabilidade civil desse aplicativo – diz Eduardo Pazinato, especialista em segurança pública e diretor do Instituto Fidedigna.

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Para Francisco Gioielli, CTO da Maplink, uma empresa de São Paulo que fornece soluções de logística e geolocalização para empresas – e trabalha com banco de dados para mapear zonas que devem ser evitadas em trajetos de transportadoras, por exemplo – do ponto de vista de algoritmos e tecnologia, oferecer esses trajetos seria viável, mas ainda há ressalvas.

– Há condições de fazer isso. Existe um peso computacional, mas não vejo um grande empecilho. Pode ser que esses desvios de rota passem uma falsa segurança de que pessoa está livre para circular em todas as outras rotas. Na prática, é difícil garantir que o aplicativo vai desviar a rota de um lado e não oferecer risco de outro. Nem sempre o banco de dados acompanha 100% a realidade da cidade – diz.

A atualização em tempo real de zonas de conflito e a criação de um banco de dados com ruas violentas mas desconhecidas pela maioria seriam a parte mais difícil do processo. Os mapas do Google e outros serviços utilizam informações inseridas pelos usuários, de satélite e de dados de tráfego para indicar informações sobre as vias. 

– O Waze tem pouca informação alimentada por órgãos públicos. Os dados são construídos por empresas privadas e pela contribuição dos usuários. Eu acredito mais no poder do usuário do que no governo para alimentar essa rota – diz Gioielli.

O RedZone, um aplicativo disponível em cidades americanas, é um que se propõe a indicar os trajetos mais "seguros". O programa indica uma rota "arriscada" e outra mais "protegida" considerando os dados incluídos por usuários. Em uma simulação feita na cidade de Baltimore, nos Estados Unidos, por ZH, até mesmo o trajeto seguro passa por dois pontos que indicam que houve um tiroteio. Com esse sistema, porém, o usuário poderia avaliar e evitar as áreas onde há maior concentração das marcações vermelhas, que indicam crimes com arma de fogo.

– A parceria com o poder público seria o ideal, mas é uma questão mais burocrática. A colaboração com o usuário é o caminho mais rápido. Não acho que seja responsabilidade do Waze, mas algo pode ser feito para melhorar essas questões. Há diversos problemas na lista deles, isso acontece no Brasil não quer dizer que isso deve acontecer no resto do mundo – diz Fillipe Norton, desenvolvedor de software e cofundador do Onde Fui Roubado, ferramenta de mapeamento de crimes colaborativa.

Responsabilidade jurídica

Pazinato não vê uma implicação direta do ponto de vista criminal em relação ao aplicativo Waze em casos como o que poderia ter ocorrido com a turista gaúcha em Florianópolis. Para ele, a situação se caracteriza como uma relação de consumo. 

 – Numa discussão jurisprudencial, não é algo pacífico. Não há nenhuma função de culpa ou de dolo eventual do aplicativo de causar qualquer dano, se estabelece uma relação colaborativa e há erros que eventualmente acontecem – diz. 

Para o especialista, órgãos jurídicos de defesa do consumidor poderiam avaliar o caso e até mesmo exigir alertas e avisos mais claros para o usuário de que o dispositivo nem sempre condiz com a realidade daquele terreno. 

– O app poderia deixar mais visível de forma mais permanente cada vez que o usuário acessa, que esse serviço está sujeito a equívocos de rota, não é 100% preciso e depende do usuário. Mas a grande responsabilidade pela garantia do direito à segurança da mobilidade é do Estado, essa é a grande questão de fundo. O app tem seu limite, mas há uma dimensão que é estatal – afirma.

Trajeto com segurança

Para trafegar de um ponto para o outro com segurança, confiar apenas na rota proposta pelo app não é o ideal. No Facebook, em apps como o Foursquare ou Yelp, os próprios usuários deixam comentários que podem alertar sobre a segurança daquele estabelecimento ou até mesmo dos arredores.

– Em termos de trajeto, desconheço um aplicativo que faça essa via alternativa, e além do Waze, um que dê esse alerta. Se você está pensando no destino do estabelecimento, pode verificar em diversas redes sociais se aquele lugar é seguro ou não – diz Gioielli.

Pazinato indica verificar antes a rota estipulada e até mesmo perguntar a autoridades locais sobre a segurança do trajeto:

– Pode-se priorizar os caminhos com grandes avenidas, com maior circulação de tráfego, isso seria uma dica genérica. Outra é não crer 100% nesses aplicativos. É preciso também buscar elementos externos que ratifiquem esse percurso tomado.

 
 

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