Especialistas recomendam ação da secretaria de segurança para cessar conflitos entre as polícias em SC - Polícia - Hora

Versão mobile

Polêmica15/02/2017 | 15h47Atualizada em 15/02/2017 | 18h01

Especialistas recomendam ação da secretaria de segurança para cessar conflitos entre as polícias em SC

Ação da Deic de não avisar PM sobre ação em São João Batista foi criticada, assim como o tenente que foi até coletiva para tirar satisfações

Especialistas recomendam ação da secretaria de segurança para cessar conflitos entre as polícias em SC reprodução/Reprodução
Foto: reprodução / Reprodução

O novo conflito entre as polícias Civil e Militar em Santa Catarina exige uma intervenção da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado. Essa é a conclusão de especialistas na área ouvidos pela reportagem. A operação da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) na madrugada do último sábado em São João Batista foi o estopim de mais um capítulo do desentendimento. Naquele dia, os policiais civis montaram campana e conseguiram impedir o arrombamento de caixas eletrônicos na cidade, deixando três suspeitos mortos.

No entanto, policiais militares criticaram a ação pois não foram avisados. Na justificativa deles, a falta de comunicação colocou em risco os agentes da Deic e os próprios PMs, pois durante a troca de tiros era difícil distinguir os policiais dos bandidos. Desde então, integrantes das duas corporações começaram a trocar farpas sobre o ocorrido.

Para o especialista em segurança pública e professor da PUC Minas, Luiz Flávio Sapori, a única maneira de minimizar os ânimos é a partir de uma intervenção da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Ele, inclusive, diz que o governador do Estado deveria chamar os dois comandos e determinar a integração para que esses conflitos sejam resolvidos:

— O governador tem que assumir junto com o secretário de segurança para fortalecer a autoridade e determinar que esses conflitos não se repitam. Precisa da intervenção de um autoridade política.

A longo prazo, o especialista recomenda que seja adotado o modelo de polícia do ciclo completo, em que a mesma corporação faz os trabalhos ostensivos e investigativos. Se não for dessa forma, diz Sapori, dificilmente haverá uma união de esforços entre as polícias Civil e Militar.

— Não acredito mais na integração porque o nosso sistema policial divide o ostensivo na PM e a investigação na Civil. Isso significa competição entre eles por espaços e recursos públicos. As tentativas de integração no Brasil não duraram mais do que cinco anos — justificou.

O especialista em segurança Eugênio Moretzsohn cita o exemplo dos Estados Unidos, onde o candidato à carreira policial ingressa na Police Academy e ao longo do curso, a vocação, o perfil e os resultados acadêmicos do candidato irão definir qual modelo de polícia ele irá exercer. Inicialmente, após formados, todos fazem um estágio de policiamento ostensivo, explica. Depois disso é que será feita a separação entre os que vão se destinar às unidades especiais,  ostensivo, choque, investigação e inteligência.

— Enquanto isso não ocorre, montar forças-tarefas conjuntas, em operações chamadas interagências, serviria como paliativo. A própria viatura deslocada para atender a determinadas ocorrências já deveria levar, a bordo, um policial civil para as primeiras diligências na esfera de sua atuação — sugere.

Moretzsohn ressalta que em Santa Catarina há um diretoria de Integração dentro da SSP. Ele afirma que a equipe é qualificada e espera "não ser necessário haver derramamento de sangue para a máquina girar na direção dessa integração em todos os níveis (estratégico, tático e operacional)".

Ação da Deic e de tenente tiveram erros, avaliam especialistas 

O criminologista e professor da Univali, Alceu de Oliveira Pinto Junior, classifica como "absurda" a justificativa da Deic de não ter informado a PM sobre o trabalho em São João Batista. Argumenta que deve haver confiança entre as duas corporações:

— Se não podemos confiar em alguma das polícias, vamos confiar em quem? Se tem problema de vazamento, isso deve ser investigado e reprimido independentemente de quem seja o responsável pelo vazamento. A hipótese, inclusive, é que o vazamento possa ocorrer dentro da própria corporação que está atuando.

Para Moretzsohn, "houve grave risco de confronto, especialmente pelo fato de a ação ter sido noturna". Ele diz que a ação poderia ter resultado num "fogo amigo". Apesar de entenderem a tese da PM, os dois especialistas não concordam com a ação do tenente que foi até a coletiva da Deic.

— O Policial Militar não deveria ter ido à Deic para tirar satisfações ou participar de entrevista que não foi convidado. Existe uma cadeia de comando e é por ela que deveria ter apontado suas insatisfações — pontua Alceu.

Já Moretzsohn diz que o policial tinha razão em estar descontente, mas poderia ter agido de outra forma:

— Ele não deveria tomar o fato como uma causa própria, e sim formalizar um documento bem escrito, ao longo do qual expressaria o risco que todos os envolvidos correram no episódio. É um problema institucional, bem acima da capacidade dele.

A assessoria de imprensa da SSP foi procurada pela reportagem mas até as 15h45min desta quarta-feira não havia respondido o contato.

Leia também:
Prisão de tenente expõe conflito entre polícias Civil e Militar em SC
Associações de delegados e de oficiais se manifestam sobre prisão de tenente

 

Siga Hora no Twitter

  • horasc

    horasc

    Hora de SCLaine Valgas: projeto fotográfico resgata a autoestima de mulheres que lutam contra o câncer #HoraSC… https://t.co/uRvyrGgZSFhá 5 minutosRetweet
  • horasc

    horasc

    Hora de SCHospitais da Grande Florianópolis participam de campanha para prevenção e diagnóstico precoce do AVC #HoraSC… https://t.co/A9iDS2HuHhhá 25 minutosRetweet

Veja também

Hora de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros