Roubo no Novo Campeche reacende alerta sobre violência contra mulher na região - Polícia - Hora

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Vamos juntas à praia?09/05/2017 | 18h03Atualizada em 09/05/2017 | 18h03

Roubo no Novo Campeche reacende alerta sobre violência contra mulher na região

Jovem de 28 anos foi agarrada enquanto caminhava na areia, mas se desvencilhou e teve apenas o celular roubado. Em 2015, mulheres formaram grupo para irem juntas à praia na tentativa de prevenir crimes

Roubo no Novo Campeche reacende alerta sobre violência contra mulher na região Guto Kuerten/Agencia RBS
Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

"Um cara me agarrou por trás, pelo pescoço, e começou a me arrastar para a restinga. Ele disse que estava armado e que era para eu não gritar. Eu nem conseguia respirar, estava sufocada e em choque. Depois que esbocei reação, ele me soltou e levou meu celular. Dei graças a Deus, porque pensei que ele fosse me estuprar". 

Este é mais um relato de violência contra a mulher no bairro Rio Tavares, em Florianópolis. Lá, o acesso à praia é feito em trilhas com pouco movimento, fato que levou algumas mulheres a criarem um grupo de Whatsapp chamado "Vamos Juntas à Praia?", em 2015, com o intuito de evitar episódios deste tipo.

Este último relato de violência aconteceu no domingo, 7, por volta das 16h, no trecho da praia conhecido como Novo Campeche. A vítima, que terá a identidade preservada, tem 28 anos e caminhava na areia quando foi agarrada. Depois de registrar um Boletim de Ocorrência online por roubo, agora se prepara para fazer exame de corpo de delito.

— Moro aqui na região há pouco mais de um ano e sempre fiquei muito tranquila. Nunca imaginei que isso fosse acontecer aqui. Não tenho mais coragem de ir sozinha à praia, perdi totalmente minha liberdade de caminhar por aí — lamenta.

Assim que chegou em casa, a primeira providência da jovem foi enviar uma mensagem de texto para todas as mulheres que conhece na cidade, alertando para não andarem sozinhas naquele local. Na sua opinião, embora a luta pelos direitos femininos e pela igualdade de gênero tenha criado um sentimento de força e empoderamento, as mulheres ainda são vulneráveis à violência.

— Não sei se ele [assaltante] arriscaria fazer isso com um homem. Por mais que nós mulheres tenhamos força, ainda somos vulneráveis. Apesar disso, é estranha a sensação que tenho: não tenho raiva dele, apenas medo. Acho que isso não é só machismo. É uma violência que resulta do sistema econômico que mantém as pessoas na miséria — afirma sobre o assalto.

Denúncias e precauções

Para a coordenadora estadual das delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, a delegada Patrícia Zimmermann, a mulher é alvo preferencial dos assaltantes por, na maioria dos casos, ter força física inferior. Para Patrícia, é importante que, mesmo assustada, a mulher registre denúncia, espalhe a informação e se posicione sobre essa violência.

— Mesmo que os direitos sejam iguais, o respeito entre os sexos não é igual. A mulher não pode se calar, tem que denunciar. Precisamos mudar a cultura de que a mulher é um objeto à serviço do homem. Isso é um processo longo, cuja mudança de comportamento virá de uma geração para outra, mas já podemos ver avanços — comenta.

A delegacia de polícia mais próxima do ocorrido, a 10ª DP, fica a 9 quilômetros distância, na Lagoa da Conceição. A resposta a um chamado de emergência pode demorar, e nem sempre é possível contar com a presença de uma viatura policial fazendo ronda no momento de um ato criminoso. Por isso, a delegada Patrícia Zimmermann orienta a evitar locais de pouca movimentação.

— Não podemos culpar a vítima, mas é bom ter cuidado. É como diz o ditado, "a ocasião faz o ladrão", e a pessoa mal intencionada pode justamente se aproveitar da vulnerabilidade da vítima para praticar o crime. Por isso, a orientação é que as mulheres evitem locais "desertos" e, se possível, andem acompanhadas nas trilhas que dão acesso às praias — aconselha Patrícia.

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