Justiça nega novas diligências, mas manda IGP avaliar perícia apresentada por defesa de motorista do Camaro - Polícia - Hora

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Tragédia no Réveillon12/10/2017 | 16h19Atualizada em 12/10/2017 | 16h19

Justiça nega novas diligências, mas manda IGP avaliar perícia apresentada por defesa de motorista do Camaro

O laudo pericial contratado pela defesa ¿ que estipulou a velocidade do Camaro entre 45 km/h e 50 km/h ¿ será enviado ao Instituto Geral de Perícias (IGP/SC) para que em 30 dias o órgão oficial apresente esclarecimentos sobre a divergência de métodos e de conclusões apresentadas nos laudos

Justiça nega novas diligências, mas manda IGP avaliar perícia apresentada por defesa de motorista do Camaro Leo Munhoz/Diário Catarinense
Bueno, de 29 anos, em audiência realizada no Fórum Central de Florianópolis em 22 de setembro Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

O juiz Marcelo Volpato de Souza, da Vara do Tribunal do Júri, negou pedido da defesa de Jeferson Rodrigo de Souza Bueno, motorista do Camaro acusado de atropelar três pessoas, matar uma e ferir gravemente outras duas na madrugada de Réveillon, em Ingleses, para que fossem feitas 12 novas diligências e uma nova reconstituição dos fatos. 

O despacho do magistrado, no entanto, determina que o laudo pericial contratado pela defesa – que estipulou a velocidade do Camaro entre 45 km/h e 50 km/h – seja enviado ao Instituto Geral de Perícias (IGP/SC) para que, no prazo de 30 dias, o órgão oficial apresente esclarecimentos acerca da divergência de métodos e de conclusões apresentadas em ambos os laudos – já que o do IGP apontou a velocidade do Camaro em 88 km/h.

Os pedidos da defesa de Bueno, formulados pelo advogado Ademir Campana, foram juntados aos autos no final de setembro como requerimento de diligências finais da parte do motorista do Camaro. No despacho, Volpato afirma que o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) opinou pelo indeferimento dos pedidos. 

O magistrado, contudo, atendeu alguns pedidos da defesa, e determinou ao IGP/SC remeter todas as mídias e fotos que constam nos laudos periciais. Também acatou o pleito de Campana para que informe, no prazo de 10 dias, se foi realizado exame toxicológico e de sangue na vítima Gean Carlos de Matos, um dos feridos no atropelamento da madrugada de Réveillon, referente ao atendimento prestado a partir do dia 1º de janeiro, devendo encaminhar a referida documentação caso positivo. 

Volpato destacou que os peritos oficiais já apresentaram laudo pericial, laudo complementar, responderam a quesitos defensivos e foram inquiridos em audiência pela defesa, e em todas oportunidades apontaram a metodologia científica empregada nos exames de maneira pormenorizada, razão pela qual indeferiu a maioria dos pedidos feitos por Campana. O juiz, porém, observou haver dúvidas que precisam ser sanadas no processo. 

"Ocorre, todavia, que não se pode ignorar a discrepância apresentada entre os laudos de Cálculo de Velocidade Veicular em Registros de Imagem de p. 207-310, complementar de p. 808-826, apresentados pelo IGP/SC; e o elaborado pelo assistente técnico, mais precisamente no que tange à velocidade do veículo Camaro, até mesmo por se tratar de cálculo matemático", expõe o magistrado.

O caso

Bueno, 29 anos, foi denunciado por homicídio doloso triplamente qualificado – com as agravantes de motivo fútil, perigo comum e meio que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima -, três tentativas de homicídio – com as mesmas três qualificadoras – e crime de omissão por fugir do local do crime sem prestar socorro às vítimas. Ele permaneceu foragido e com mandado de prisão em aberto por quase quatro meses, mas ao se reapresentar ganhou o direito de aguardar o julgamento em liberdade. A última audiência do caso em primeira instância ocorreu em 22 de setembro. Agora, ao fim do prazo dado pela Justiça ao IGP, abre-se prazo para as alegações finais das partes e então a sentença em primeiro grau. 

O acidente 

Bueno atropelou Cristiane Flores, 31 anos, que morreu no local, o esposo dela, Nilandres Lodi, 36 anos, que teve as duas pernas amputadas, e Gean Mattos, 22 anos. O motorista conduzia um Camaro com placas de Sapiranga. Por volta das 3h, o carro invadiu a calçada em frente à loja RMS Auto Som, na rodovia Armando Cali Bulos. Nilandres era proprietário do estabelecimento e retornava com a esposa para a casa da família, que fica nos fundos do local. Lá, familiares e os filhos, uma menina de 13 anos e um menino de 5, os aguardavam.

Antes de atingir as três pessoas, o Camaro bateu em um Audi – que era conduzido por Robson de Jesus Cordeiro e está em nome de Valdir Luiz Vieira - e numa Hilux. Nilandre e Cristiane eram de Passo Fundo (RS) e estavam juntos há 8 anos, três deles morando em Florianópolis. Bueno fugiu do local do acidente. 

Tratamento para as próteses 

Nilandres, que voltou com os filhos para Passo Fundo (RS) após o acidente, vai retornar a Florianópolis para começar o tratamento de colocação das próteses. O dinheiro para o processo, quase R$ 50 mil, veio através de uma vaquinha entre amigos.

— Eu estou sobrevivendo hoje graças a ajuda dos parentes e de amigos.

Além de ter as pernas amputadas, Nilandres perdeu parte do movimento dos braços e terá de fazer uma cirurgia para corrigir a visão de um olho. 




 

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