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Compra de imóveis04/02/2018 | 17h37Atualizada em 04/02/2018 | 17h39

Vítimas de estelionato no norte da Ilha começam a prestar depoimento

Suspeito de golpe imobiliário foi preso em SP no ano passado, transferido para Santa Catarina e deve ser ouvido em março

Vítimas de estelionato no norte da Ilha começam a prestar depoimento Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Diego Rodrigues Vieira Veras, 29 anos, preso e acusado de aplicar um golpe imobiliário em mais de 100 pessoas nos Ingleses em 2016, já tem data para ser ouvido pela Justiça: será no dia 12 de março. Na semana passada, começaram as audiências das vítimas no Fórum de Florianópolis. Somado, o prejuízo dos envolvidos chega a R$ 13 milhões, segundo as investigações.

Preso em julho do ano passado num condomínio de luxo em Cotia, na Grande São Paulo, Diego foi transferido para o sistema penitenciário catarinense no dia 28 de janeiro. Em SP, de onde é natural, foi acusado por associação para o tráfico de drogas e formação de organização criminosa, fora o caso de estelionato no norte da Ilha.

O processo referente ao crime do qual é suspeito em Florianópolis está na 3ª Vara Criminal, onde as audiências seguirão entre os meses de fevereiro e março. Já na área cível, dezenas de vítimas cobram indenização. A advogada Paula Farias defende 14 compradores de imóveis vendidos pelo acusado. Cada um perdeu, em média R$ 130 mil. Ela tenta o bloqueio de bens, como carros de luxo e imóveis do acusado. A advogada acredita que a transferência de Diego para Santa Catarina vai acelerar o processo.

— A situação não é fácil. Muitos estão descrentes, são pessoas que gastaram tudo que arrecadaram ao longo de uma vida inteira. Então a gente, como advogado, tenta mostrar esperança de Justiça para que eles continuem o processo e sejam indenizados.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Diego iniciou em 2015 a construção de três condomínios nos Ingleses: Maritina, Zarah I e Zarah II. Depois, junto com a esposa e um terceiro envolvido, passou a alienar simultaneamente os apartamentos dos três prédios. Com intenção de lucro ilegal, sustenta o MP, em várias oportunidades os três venderam o mesmo apartamento para diferentes compradores. Há casos de uma única unidade ter sido comprada por oito pessoas.

"Ou seja, os denunciados venderam apartamentos que não lhes pertenciam como se donos fossem, e, em consequência, atingiram vultoso ganho ilícito", concluiu o promotor de Justiça Fernando Linhares da Silva Junior, da 3ª Promotoria da Capital.

Por conta do atraso da obra, os compradores se reuniram em frente a um dos empreendimentos e descobriram a fraude.

— Ele foi fazendo essas vendas, pegou automóveis e dinheiro em espécie como pagamento adiantado e depois sumiu — lamenta a advogada.

O advogado de Diego, Charles Pergolado Keber, informou que só vai se manifestar em juízo.

 

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