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CRUELDADE31/03/2018 | 07h31Atualizada em 31/03/2018 | 07h31

Um mês após jovem ser brutalmente assassinado em saída de festa no Kobrasol, família busca respostas

O estudante Lucas Feller tinha 18 anos e sonhava em ser DJ e policial federal

Um mês após jovem ser brutalmente assassinado em saída de festa no Kobrasol, família busca respostas Leo Munhoz/Diário Catarinense
Sheila Feller mantém a força, apesar da perda dolorosa do caçula Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

Como uma fortaleza, a mãe de Lucas Feller recebeu a reportagem na última quinta-feira (29) para falar sobre a morte do filho de 18 anos, executado de maneira brutal após sair de uma festa no The Vintage Pub, uma casa noturna do bairro boêmio do Kobrasol, em São José, na Grande Florianópolis. Passados 37 dias do crime, Sheila Feller, uma mulher alta e resistente de 40 anos, ainda busca quaisquer explicações que sejam, junto com a irmã de Lucas, Emily, e o pai, Adelson, para a perda do caçula da família.

— Quantos meninos têm a idade do meu e também vão no The Vintage, nessas danceterias de Jurerê? Então, quer dizer que qualquer menino da idade dele, podem pegar e fazer o que quiserem? — se questiona.

Lucas Feller saiu da boate por volta das 3h da madrugada de 22 de fevereiro. O corpo dele foi encontrado às 5h30 na Estrada Geral da Rússia, zona rural na cidade vizinha de Biguaçu. Fica 24 km distantes do Kobrasol. É duro descrever a crueldade dos assassinos. Eles quebraram os braços e as pernas do menino e depois acertaram cinco tiros no rosto e dois no corpo. Mas não levaram os pertences dele. A todo tempo, a família se pergunta quais motivos teriam os algozes para executar desta forma um menino inofensivo, que sonhava em ser DJ e policial federal. Outro mistério é que carro era esse que o Lucas entrou na saída da festa. Uma amiga da Emily que estava no The Vintage conversou com Lucas naquela noite. Ela testemunhou quando o jovem entrou no veículo. 

— Na saída dessa festa, eles continuaram a conversa na frente. O Lucas falou pra ela "quer uma carona pra casa? Eu vou com esse pessoal aqui". Ela falou assim: "não, Lucas. Eu já tenho uma carona". Ele insistiu, ela não quis. E ele entrou no carro.

Durante a festa, Lucas postou um vídeo selfie no Snapchat, uma rede social comum entre os mais jovens. Ele estava feliz com um copo na mão. 

A irmã Emily também costuma ir às mesmas festas, rotina para uma garota de 22 anos. Ninguém sabe, conta ela, se essas pessoas do carro estavam no pub, se vieram de outra festa ou se só ficaram na rua.

— Eu acho que alguém no carro era conhecido dele. Porque não faz sentido, ninguém sai de uma festa e entra no carro de alguém totalmente estranho — afirma a menina.

O DJ das festinhas do colégio

Depois do assassinato, a família não conseguiu mais continuar morando na mesma casa no bairro Barreiros, em São José. Não havia clima. Alugaram outra residência em Florianópolis, mais próximo do negócio familiar, uma loja de estofados, onde o próprio Lucas trabalhava. Lá, o jovem atendia clientes, comprava materiais. Esse ano, iria começar o cursinho pré-vestibular. A ideia era passar em Direito e se preparar para entrar na carreira da Polícia Federal.

Foi nessa estofaria que Scheila recebeu a reportagem. Ela conseguia manter naturalmente o sorriso no rosto enquanto lembrava dos diálogos que mantinha com o filho sobre o futuro dele. Que no concurso da PF, o Lucas iria passar, mas o problema era o teste físico.

— Eu dizia 'não sei não, meu filho, tu tá muito magrinho pra subir naquelas cordas'. E aí ele disse 'mãe, eu preciso de um condicionamento físico. Vou começar a correr todo dia!'. Então a gente saía da loja, ia para casa e ele trocava de roupa, colocava o tênis e a bermuda e ia correr que nem naquele filme... o Forrest Gump — lembra.

Outro sonho do moleque era ser DJ. Ele aprendeu a discotecar sozinho vendo videoaulas do YouTube. Os colegas do colégio Cruz e Sousa promoviam as festas, e o Feller mandava ver nas pickups.

— Preferia que ele fizesse a festinha lá em casa do que em qualquer outro lugar. E quando tinha essas festinhas ele era o DJ. Pra um menino de 18 anos, ser o DJ é uma coisa muito legal, porque ele é a pessoa mais importante da festa — contou a mãe intuitiva.

Um mês após jovem ser brutalmente assassinado em saída de festa no Kobrasol, família busca respostas
Lucas aprendeu a discotecar sozinho vendo videoaulas do YouTubeFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

A busca por respostas

Sheila listou na cabeça uma série de possibilidades para o crime. E aí foi eliminando uma a uma.

— 'Ah, foi por uma menina'. Até onde eu sei não. Ele tinha namorada. Aí depois tu fica pensando: 'então vende droga'. Mas se vendia droga, era um traficante muito ruim, porque ele não tinha um real. O dinheiro saía todo meu. Ele tinha que entrar no YouTube e ver um curso pra traficante! _ brinca.

— Então ele era usuário? Também não vai dar, porque uma pessoa que corre não ia usar droga. Eu iria saber _ questiona.

A angústia aumenta à medida em que as semanas passam e a Polícia Civil não dá respostas à família. Biguaçu só tem uma delegacia. O responsável por essa essa investigação é o delegado Cristiano Sousa. A Delegacia Regional de São José está auxiliando. Sousa não dá detalhes, mas adianta que o caso está sendo considerado prioridade.

— Várias hipóteses já foram descartadas, e o norte dela já foi dado. Mais do que isso eu estarei dando informações que vão prejudicar a investigação.

O delegado também informou que Lucas foi encontrado por populares em uma região erma da Estrada Geral da Rússia. O crime, segundo ele, não foi cometido lá, é apenas o local onde o corpo foi deixado. Também disse que o pub está colaborando nas investigações, inclusive já cedeu os vídeos das câmeras de segurança. A polícia também analisa imagens do videomonitoramento da Polícia Rodoviária Federal na BR-101.

Mesmo assim, para Sheila Feller e a família, essas informações são insuficientes.
— A única coisa que eu sei é que alguém tinha muita raiva e estava alimentando esse ódio esse tempo todo — conclui a mãe.

Quem tiver quaisquer informações sobre o caso pode entrar em contato com o disque-denúncia da Polícia Civil de forma anônima no número 0900 48 1717. O órgão também disponibiliza o WhatsApp: 98840011.

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Emily Feller e LucasFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal


 

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