Haitiano suspeito de espancar companheira teria obrigado a jovem a ingerir substância abortiva - Polícia - Hora

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Perdeu o bebê17/08/2018 | 16h20Atualizada em 17/08/2018 | 16h36

Haitiano suspeito de espancar companheira teria obrigado a jovem a ingerir substância abortiva

Não há ainda informação sobre qual seria essa substância, mas o resultado de laudos periciais feitos pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) pode ajudar na elucidação do mistério

Haitiano suspeito de espancar companheira teria obrigado a jovem a ingerir substância abortiva Polícia Civil/Divulgação
Suspeito foi preso pela Polícia Civil na tarde de quinta-feira, dia 16 de agosto Foto: Polícia Civil / Divulgação

O haitiano de 29 anos suspeito de espancar a ex-companheira, também haitiana e de 23 anos, que estava grávida de 10 semanas, pode ter provocado o aborto espontâneo sofrido pela jovem. Isso teria ocorrido não com as agressões contra ela, mas sim por ele tê-la obrigado a ingerir uma substância abortiva.

A informação foi relatada pela vítima em depoimento ao delegado Gustavo Kremer, da 6ª Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami). Não há ainda informação sobre qual seria essa substância, mas o resultado de laudos periciais feitos pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) pode ajudar na elucidação do mistério.

— Ela veio no mês passado, não falava nada de português, e relatou ameaças e lesões corporais contra o companheiro. Depois, já na Casa de Passagem, ela começou a ter sangramentos no útero. Foi encaminhada ao hospital, mas lá teve o aborto espontâneo do feto. Nesse momento, então, relatou que uma semana antes das agressões, no início de julho, esse rapaz deu alguma substância para ela com a finalidade provocar o aborto — revela Kremer.

O delegado diz esperar os laudos do IGP para saber se o aborto que a haitiana sofreu teve como causas as agressões ou a ingestão de substância abortiva.

Segundo a assessoria de comunicação do IGP, a vítima passou por exames em duas oportunidades no órgão, uma em julho – quando da primeira agressão – e outra em 14 de agosto – após perder o bebê.

Na última ocasião, nesta semana, foram feitos exames complementares na mulher. A assessoria do IGP, no entanto, diz não ter recebido via Instituto Médico Legal nenhuma solicitação para exames de sangue na jovem haitiana.

 Vítima está em Florianópolis há quatro meses

A vítima chegou ao Brasil há quatro meses e aqui começou a namorar o suspeito. Ela não fala português e seu depoimento foi tomado com a ajuda de um intérprete, um jovem haitiano que estuda na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Desde o dia 15 de julho, quando procurou a Polícia Civil para relatar ameaças e agressões que sofria, a jovem está abrigada na Casa de Passagem, um espaço mantido pela prefeitura de Florianópolis para mulheres em situação de vulnerabilidade e vítimas de violência.

— Lá está tendo um atendimento multidisciplinar, com assistente social, psicólogo, tudo para que possa se recuperar e reinserir o mais rápido possível. Será preciso reinseri-la em uma nova realidade aqui em Santa Catarina, porque ela não tem parente nenhum, não tem dinheiro, não tem amigos, não tem nada — explica o delegado Kremer, que pretende concluir o inquérito sobre o caso na próxima semana, com o provável indiciamento do suspeito.

Também desde o mês passado, a vítima recebeu medida protetiva para que o suspeito não se aproximasse dela. Ele está preso preventivamente desde quinta-feira (16) no Complexo Prisional da Agronômica, na Capital. Ele e a vítima moravam em uma comunidade também da Agronômica. O homem trabalhava como faxineiro em um minimercado e estava no Brasil há quatro anos.

Homem tem outros dois BOs de violência doméstica em Florianópolis

Segundo o delegado Kremer, o rapaz tem contra si outros boletins de ocorrência de violência doméstica contra haitianas com quem já se relacionara aqui em Florianópolis. Os casos, diz Kremer, não são tão graves como o espancamento contra a jovem de 23 anos. Guardam, porém, semelhanças. Uma é que todas as vítimas eram recém-chegadas no Brasil, não conheciam ninguém por aqui e não falavam português. Outra é sobre o modus operandi de agir do suspeito, diz o delegado.

— Repetiu o mesmo modus operandi. Ou seja, ele primeiro se envolvia emocionalmente com essas mulheres. Elas normalmente viviam em uma vulnerabilidade maior, porque não falavam nosso idioma, não conheciam ninguém. Na sequência, começava a violência psicológica, não deixava elas saírem de casa, limitava as condutas. Posteriormente, fazia ameaças e depois as agressões com lesões corporais — relata Kremer.


 

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