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Sequência de ataques07/08/2018 | 05h00Atualizada em 07/08/2018 | 05h00

Secretaria de Segurança Pública descarta nova onda de atentados

Autoridades atribuem violência registrada entre sexta e esta segunda-feira à represália contra o crime organizado na Grande Florianópolis

Secretaria de Segurança Pública descarta nova onda de atentados Marco Favero/Diário Catarinense
Guarita do Centro Administrativo foi atingida por tiros Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Após um fim de semana violento, com ataques contra bases da Polícia Militar (PM), viaturas e casas de policiais em diferentes cidades da Grande Florianópolis, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) descarta que Santa Catarina esteja vivendo uma nova onda de atentados, como as registradas a partir de 2012 no Estado. Segundo o comando da pasta, as ações criminosas, ocorridas desde sexta-feira, tiveram como motivação represália de integrantes de uma facção catarinense contra apreensões e prisões feitas nas últimas semanas. Mortes em confronto com a polícia, especialmente na Capital e em Tijucas, também podem ter relação com os ataques, diz a SSP. Ainda que desconsiderem se tratar de nova onda de atentados, as forças de segurança estão em estado de alerta.

Alceu de Oliveira Pinto Junior, secretário de Segurança Pública de SC, avalia que as ações da polícia “têm se concentrado em lideranças” do tráfico, e isso teria provocado a reação dos bandidos. O titular da pasta afirma que essa resposta dos criminosos “era até esperada”. Alceu diz que outros ataques da facção catarinense, previstos para terem ocorrido nos últimos dias, “foram sufocados por ações de inteligência” da polícia catarinense “com antecedência suficiente para que não acontecessem”.

– A gente tem feito grandes apreensões de drogas, de armas de grosso calibre mesmo, e com isso esperávamos algum tipo de reação. Graças a Deus e ao trabalho de inteligência da Polícia Civil e Militar, a gente conseguiu mapear a maioria das reações com antecedência suficiente para que elas não acontecessem. Teve os ataques contra as bases da polícia, mas boa parte das reações foram interceptadas em tempo. Havia planos (dos criminosos) de fechar a Via Expressa, de atacar policiais e outros, mas descobrimos antes dos eventos acontecerem – expõe o secretário Alceu.

Sobre a possibilidade de mortes em confronto com a polícia estarem relacionadas às causas dos últimos ataques registrados na região metropolitana de Florianópolis, já que a Capital registra 18 mortes violentas dessa natureza neste ano – três a mais do que todas as 15 mortes registradas em 2017 –, e Tijucas, com ao menos nove mortes em confronto em 2018, Alceu fala que pode haver ligação porque o foco das polícias está “nos líderes da organização criminosa”.

– Pode ter alguma relação, porque nossa atuação é contra os líderes efetivos, com a desmobilização dessas organizações criminosas. E essas lideranças, na maioria das vezes, estão melhor armadas, têm armamentos específicos. Como nossas ações têm o foco neles, a tendência é haver essas reações – pontua o titular da SSP.

Cidades mais expostas

A SSP considera que alguns municípios estão mais expostos às reações do crime organizado, como Florianópolis, Tijucas e Joinville. Dos três, Tijucas, o menor deles, chama atenção pelo aumento de ocorrências. Para Alceu, a geografia da cidade contribui para torná-la um lugar atrativo para a criminalidade. Ele cita a variedade de acessos, para o litoral e interior, como atrativos para que quadrilhas se estabeleçam na região:

– Tijucas sempre foi um nó muito importante, pelos acessos que têm ao interior e ao litoral, praticamente meio caminho entre Florianópolis e Itajaí, Navegantes e Balneário Camboriú, que são centros importantes do Estado.  

Delegado-geral da Polícia Civil catarinense, Marcos Ghizoni, também acredita em retaliação dos criminosos devido às operações e apreensões realizadas recentemente. Ghizoni aponta outro fator que pode estar por trás dos últimos ataques:

– Há oportunistas que aparecem para fazer esses crimes com intuito de se vangloriar perante os seus, mas tudo indica que são pessoas tentando chamar atenção, a ponto de querer perturbar a continuidade dos nossos serviços. O que eles querem é gastar nossa energia com esses crimes. Hoje minha equipe está respondendo perguntas sobre isso, ao invés de estarmos em outras operações.

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Viaturas e casas de policiais são alvo de criminosos

Florianópolis, São José, Palhoça e Tijucas registraram ataques contra prédios e servidores das forças de segurança catarinense entre a noite de sexta-feira (veja ao lado) e madrugada de ontem. Em quatro delas os alvos foram bases policiais, em outras quatro as viaturas ou casas de policiais e dois confrontos.

A primeira ocorrência foi registrada quando policiais militares e civis cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão contra Walace Índio de Farias. Ele se envolveu em um tiroteio com a polícia, em Tijucas, e morreu no local.

O último caso foi registrado nesta segunda-feira, no bairro Saco Grande. A guarita aos fundos do Centro Administrativo do Estado de Santa Catarina, localizada na SC-401, foi alvo de cerca de cinco disparos por arma de fogo. Os autores do crime não foram identificados.

As ocorrências

Sexta-feira

19h – Em Tijucas, Walace Índio de Farias, conhecido como Mocotó ou Bichinho, de 18 anos, foi baleado após tiroteio com policiais militares e civis que realizavam cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão contra ele, que era considerado pela polícia o indivíduo de maior periculosidade de uma facção catarinense fora dos presídios.

Sábado

3h – Edson Lorencir Bernardo, 43 anos, foi assassinado quando conduzia um Renault Clio preto na Rua Manoel Porto Filho, em Forquilhinhas, São José. A vítima levou cerca de 20 disparos de pistola. Um dos tiros atingiu um adolescente de 17 anos que mora em uma casa vizinha. O garoto ficou ferido.

3h45min – O prédio do 7º Batalhão da Polícia Militar, no bairro Fazenda do Max, também em São José, foi alvejado por cerca de 30 disparos de pistola. Os tiros atingiram a parede do prédio. Após o ataque, o carro seguiu em direção à BR-101, segundo a polícia.

3h45min - Disparos também atingiram a base insular da PM, nas proximidades das pontes Pedro Ivo e Colombo Salles, em Florianópolis. Os tiros vieram do interior de um veículo. Posteriormente, por meio de câmeras de monitoramento, a PM confirmou que o veículo utilizado na ação foi um Citröen C3 apreendido na região da Prainha. Dentro do carro, que tinha registro de roubo, a PM encontrou quatro munições de pistola 9 milímetros deflagradas.

Domingo

1h – A residência de um policial em Palhoça, no bairro Barra do Aririu, foi alvo de nove disparos por arma de fogo, sendo que quatro atingiram as paredes. Ninguém ficou ferido. Os agentes também acreditam que nesse período uma base da PM no bairro Colônia Santana, em São José, foi alvejada por tiros – os quais foram constatados pela manhã.

11h – Dois homens estavam em uma moto quando dispararam contra uma viatura do Departamento de Administração Prisional (Deap) no bairro Sertão do Imaruim, em São José. Houve troca de tiros e os suspeitos fugiram do local. Horas mais tarde e conforme a PM, dois jovens deram entrada no Hospital Regional, relatando que foram atingidos por disparos. O adolescente de 16 anos não tinha histórico criminal e o homem de 20 anos tinha passagem por adulteração de veículo automotor.

23h – A Polícia Militar estava fazendo rondas pela Rua Professor Aníbal Nunes Pires, na subida para o Morro da Queimada, na Capital, quando recebeu disparos de arma de fogo, revidando os tiros em seguida. De acordo com a corporação, ninguém foi detido e os policiais não foram feridos.

23h – Um grupo roubou um carro Fiat Ducato e incendiou o veículo na Avenida Governador Ivo Silveira, no bairro Estreito, em Florianópolis. Houve troca de tiros com os criminosos no local. Dois adolescentes foram baleados durante o confronto, ambos com passagem policial, de acordo com a PM. Um jovem de 17 anos, com passagens na polícia por estelionato e posse de drogas, morreu no local. Outro, de 16 e com histórico de crimes como tráfico de drogas, receptação, resistência e lesão corporal, foi encaminhado ao hospital. O veículo foi recuperado e encaminhado na 3ª Delegacia de Polícia da Capital.

Segunda-feira

1h30min - Nesta segunda-feira, no bairro Saco Grande, a guarita aos fundos do Centro Administrativo do Estado de Santa Catarina, localizada na SC-401, foi alvo de cerca de cinco disparos por arma de fogo. Os autores do crime ainda não foram identificados.

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